Pesquisar este blog

sábado, 28 de novembro de 2015

Tiago 3:6

Tiago 3:6 - A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno.
A LÍNGUA TAMBÉM É UM FOGO. Continua o autor usando suas metáforas para dizer o quanto as palavras vãs e torpes são prejudiciais no meio da sociedade e principalmente no seio da igreja. Tiago compara a faculdade da fala a um fogo que tem o poder de modificar os organismos por ele atingidos. O fogo tem um poder terrível de destruição sobre os objetivos por ele atingidos. Não é diferente com as palavras torpes e vãs, a mentira e o falso testemunho tem o poder de destruir vidas.

COMO MUNDO DE INIQUIDADE. As conversas de pessoas para pessoas ou de grupos, no sentido de denigrir a vida dos outros, os discursos ou palestras maldosas, as pregações ou ensinos distorcidos, tudo isso é comparado pelo escritor a um mundo de iniquidade, porque o seu resultado é devastador na vida das pessoas. Existem várias maneiras de se pecar contra alguém, e uma delas, e talvez a mais comum, é justamente por meio do que falamos. Faz-se necessário ter cuidado no que dizemos.

A LÍNGUA ESTÁ POSTA. Quando o escritor se refere a “língua”, ele está se reportando a faculdade da fala e tudo aquilo que pronunciamos com a nossa voz, até porque, biblicamente falando, a língua representa a expressão vocal de um ser humano. A faculdade da fala ou o nosso sistema de comunicação oral, não é composto apenas pela língua, mas podemos destacar; as cordas vocais, os pulmões, que fazem parte deste sistema impulsionando o ar que aspiramos além dos demais membros da boca.

ENTRE OS NOSSOS MEMBROS. O corpo humano é dividido em três partes fundamentais: cabeça, tronco e membros. Dessa maneira, a cabeça é formada pelo crânio e a face; o tronco é composto do tórax e do abdômen; e, por fim, os membros são classificados em superiores (braços, antebraços, ombros e mãos) e inferiores (quadril, coxas, pernas e pés). Que por sua vez estão divididos por membros menores, entre eles a língua faz parte do conjunto de membros da cabeça.

E CONTAMINA TODO O CORPO. Jesus falou que o que contamina o corpo não é o que entra nele, mas sim o que sai dele (as palavras). Mateus 15:11,17-18 - O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem. Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora? Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Entende-se com isso tudo que as palavras torpes são perigosas.

E INFLAMA O CURSO DA NATUREZA. Tem um ditado que é verdadeiro e diz: Há poder nas suas palavras, seja poder de vida ou poder de destruição e morte. A mentira, difamação e calunia pode acabar com a reputação e a vida de alguém, por isso se deve ter cuidado no que se fala no que se prega e no que se escreve também.

E É INFLAMADA PELO INFERNO. Neste ponto, o autor acaba que declarando sobre a influencia do diabo com os seus demônios nas palavras negativas e enganosas. O inimigo se apropria das palavras do homem para prejudicar o seu próximo e blasfemar.

Tiago 3:5

Tiago 3:5 - Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia.
ASSIM TAMBÉM. O homem pela sua sabedoria tem condições de controlar um cavalo forte e veloz, por meio dos freios ou cabrestos, e desta forma cavalgar de forma tranquila sobre o campo. O ser humano, também consegue guiar um grande navio em alto mar, sendo açoitado pelas ondas fortes e os ventos impetuosos. Mas, em muitos casos não tem a capacidade de controlar as suas próprias palavras, quando usa a faculdade da fala para enganar o próximo e proferir palavras torpes.

A LÍNGUA. “A língua”, juntamente com as cordas vocais e o ar que sai dos nossos pulmões é um dos membros muito importante na faculdade da fala, porque ela modula e articula os sons produzidos nas cordas vocais, na arte de falar. Quando atentamos para a interpretação alegórica do texto, aprendemos que o autor se refere à voz humana, que quando usada para o que é certo e bom, pode edificar vidas. Mas quando usada de forma errada e maldosa pode causar grandes prejuízos.

É UM PEQUENO MEMBRO. Temos no corpo humano muitos e grandes membros, tais como a pele, que é o maior membro do nosso corpo, os ossos, que falam de nossa estrutura de sustentação, o sistema nervoso, que representam a nossa força e o equilíbrio, o sistema digestivo e muitos outros. Dentre tantos membros que compõem o nosso organismo, existe “um” que de tão importante representa a nossa expressão de sentimentos e vontades. A língua expõe o que somos e o que sentimos.

E GLORIA-SE. Os seres humanos que não fazem a vontade de Deus usam de suas palavras para se vangloriarem dos seus feitos e obras. Os ateus confessos ou não se utilizam da faculdade da fala para se gabarem do seu orgulho humano, em acharem de que são independentes, e que não precisam de Deus. Os incrédulos se vangloriam de sua sabedoria humana, de suas habilidades e astucias para se darem bem na vida e nos seus empreendimentos. Eles expressão sua prepotência por meio de suas palavras.

DE GRANDES COISAS. O egoísmo humano leva os ímpios a se gabarem de sua proezas e se vangloriarem dos seus feitos, como se eles fossem semideuses, e isso com o intuito de desprezarem o criador de todas as coisas. Os incrédulos sempre estão proferindo seus discursos vãos e se desbocando em mentiras para falarem daquilo que não são nem podem cumprir. Suas palavras são enganosas e torpes.

VEDE QUÃO GRANDE BUSQUE. Escutamos quase todos os dias, os noticiários informando sobre focos de incêndios em nosso país, ora porque o clima está muito seco, ora por falhas humanas ou em muitos casos, incêndios criminosos. Não é diferente com os falatórios difamadores, em que as pessoas vivem de falar da vida alheia e denegrirem o testemunho dos outros. As palavras vãs são destruidoras.

UM PEQUENO FOGO INCENDEIA. Basta uma pequena faísca, um pequeno fósforo ou algo parecido, para que se comece um incêndio de grandes proporções nas vegetações. É como uma mentira, um falso testemunho ou a difamação da vida de alguém, logo se alastra e sai destruindo e complicando a vida das pessoas.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Tiago 3:4

Tiago 3:4 - Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa.
VEDE TAMBÉM AS NAUS QUE. O autor esta se referindo aos grandes navios e embarcações que atravessam os mares e oceanos, o que hoje são chamados de transatlânticos de grandes portes. Assim como o cavalo é controlado pelo seu cavaleiro, por meio dos freios ou cabrestos, os grandes navios são controlados da mesma forma por um pequeno leme, por meio do qual é dirigido pelo seu comandante. Bem como a faculdade da fala deve ser controlada pelos pregadores.

SENDO TÃO GRANDES. O escritor não está escrevendo sobre uma pequena canoa ou um pequeno barquinho de passeio, mas ele esta se reportando as grandes embarcações, que têm a capacidade de carregar toneladas e mais toneladas de cargas grandes e pesadas. Temos um exemplo de um navio de grande porta no Novo Testamento, aquele que transportou o apóstolo Paulo para Malta, que carregava duzentas e sessenta e seis pessoas (Atos 27:37). Hoje existem navios muito maiores.

E LEVADAS DE IMPETUOSO VENTO. Além do tamanho das grandes embarcações, e por estarem flutuando sobre as águas, elas são açoitadas por impetuosos ventos, verdadeiras tempestades. A força dos ventos sacodem estas embarcações para todas as direções, além das grandes ondas que sacodem estes naus com incríveis forças, conforme a direção dos ventos. O escritor já havia passado por momentos de tempestades em alto mar, e sabia exatamente sobre o que estava escrevendo.

SE VIRAM COM UM BEM PEQUENO LEME. Comparado ao tamanho do navio, o leme é bem pequeno, mas que tem o poder e a capacidade de governar a grande embarcação, coisa que é admirável e posta em destaque pelo escritor. Não é diferente da faculdade da fala, em que ela deve ser controlada e dominada pelas nossas boas vontades, uma vez que, caso contrário, a própria vida da pessoa fica a deriva das consequências que provem das palavras vãs e torpes, que alguém profere.

PARA ONDE QUER. Apesar de ser grande e estar flutuando sobre as muitas águas, bem como ser açoitado pela força do vento e pelas grandes ondas, o navio não fica a deriva, porque através de um pequeno leme, ele é guiado para o porto desejado. Da mesma forma, deve haver um direcionamento correto para as palavras, e isso nos ensina sobre pensar antes de falar e falar pela ração e não simplesmente pela emoção.

A VONTADE DAQUELE. Um grande navio deve ter um ou mais comandantes que o guia em suas viagens marítimas, assim como um avião tem que ter um ou mais pilotos, da mesma forma que um carro tem que ter um motorista para guiá-lo. No caso da faculdade da fala, é o Espírito de Deus quem deve comandar ou governar todo o discurso, caso contrário, será apenas uma mensagem de ideologias humanas.

QUE AS GOVERNA. Por mais avançado que seja o sistema de tecnologia marítima, um navio de grande porte, principalmente os que transportam seres humanos precisam de um ou mais comandantes para governá-lo. Com a faculdade da fala não é diferente, quem prega ou ensina a palavra de Deus, tem que assim o fazer com a capacidade de só pronunciar as palavras certas e boas, que vão edificar a vida do próximo, e isso, pelo Espírito Santo de Deus. E o manual do pregador deve ser as santas Escrituras.

Tiago 3:3

Tiago 3:3 - Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo.
ORA, NÓS. O autor traz em seguida três ilustrações para mostrar o quanto se deve ter controle sobre a faculdade da fala, e para tanto ele escreve sobre os freios que se coloca na boca do cavalo e no pequeno leme que pode dirigir uma grande nau, como também demonstra as terríveis consequências das vãs palavras, comparando-as as chamas de fogo, que podem incendiar uma grande floresta. Esse “nós” é intencional para detectar que podemos dentro do controle próprio, refrear as palavras torpes.

POMOS FREIOS. O ser humano tem de fato, pelo seu livre arbítrio, controle sobre determinadas coisas externas, porem, deveria também ter controle ainda muito maior sobre seus hábitos pessoas. Os “freios” citados pelo autor, fala de maneira figurada sobre a ação do homem em determinadas situações externas, que ele acaba utilizando para manter controle sobre os animais. Esse foi um direito dado por Deus ao homem, que na realidade o torna superior aos animais do campo (Gênesis 1:26).

NAS BOCAS. Ao que tudo indica, o escritor usa de propósito esse exemplo, já que ele está se referindo ao usa da boca, como instrumento das palavras torpes e vãs que os tagarelas se utilizam. Quem utiliza o cavalo nas mais variadas atividades, pode usar alguns tipos de freios ou cabresto para dominar a força deste animal veloz e destemidos. No entanto, se diz que o modo mais eficaz de ter domínio sobre os cavalos mais afoitos é colocando um freio em sua boca para pressionar a língua.

DOS CAVALOS. Nos dias de hoje, os seres humanos utilizam dos mais diversos tipos de transportes para se locomoverem, desde uma simples bicicleta, passando por potentes motos, carros dos mais modernos e rápidos, bem como dos aviões que tornou o planeta terra por demais pequeno. Mas, antigamente, o cavalo tinha uma importância fundamental, no transporte das pessoas. O cavalo é um animal de força e velocidade, onde os que usam de sua montaria precisam usar freios para ter controle sobre ele.

PARA QUE NOS OBEDEÇAM. Através dos chamados cabrestos ou freios, é que os usuários da montaria mantem o controle sobre estes animais, que são fortes, e que conseguem uma velocidade muito grande, quando estão correndo. Com relação às palavras vãs e torpes, não é diferente, elas tem uma força devastadora na vida dos ouvintes, bem como uma velocidade de propagação enorme e nociva.

E CONSEGUIMOS DIRIGIR. O cavaleiro que faz sua cavalgadura em um cavalo manso ou bravo, domado ou selvagem, tem a confiança de que vai ter domínio sobre o animal de grande força e velocidade por meio dos freios ou cabrestos. Da mesma forma, a fala humana precisa de controle, a fim de que, o que profere sua fala, não solte palavras vãs ou torpes. Se o homem doma um cavalo, porque não a sua língua? O cavaleiro tem que dominar seu cavalo, se não há prejuízos, assim é com a língua também.

TODO O CORPO. O cavaleiro hábil consegue por meio dos freios ou cabrestos dirigir todo o corpo do cavalo, seja ele grande ou não, domado ou selvagem. Não será diferente com aquele que com prudência, procura falar somente o que é bom e certo.

Tiago 3:2

Tiago 3:2 - Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo.
PORQUE TODOS TROPEÇAMOS. No capítulo anterior o autor chama a atenção dos seus leitores sobre a fé vã, mas neste capítulo ele começa expondo sobre as palavras vãs. E neste texto, o escritor escreve sobre a vulnerabilidade do ser humano, que é falho em todas as áreas de sua vida, principalmente no que diz respeito à faculdade da fala. Esse tropeço sobre o qual o apóstolo se refere diz respeito aos pecados nas suas mais variadas formas que o ser humano pratica no seu dia a dia contra Deus.

EM MUITAS COISAS. O ser humano erra, quando não corresponde a sua missão para qual foi formado e criado, que é amar a Deus acima de qualquer coisa e servi-lo na beleza de sua santidade. O homem peca por meio de seus atos, ações, palavras, pensamentos e até intenções. Desde a queda da raça humana, que a personalidade, a natureza e o caráter dos homens foram obliterados pela desobediência, apostasia e rebelião. Difícil é o ser humano acertar naquilo que faz, mas errar é regra comum.

SE ALGUÉM NÃO TROPEÇA. Cauteloso é aquele que procurar ouvir mais do que falar, até porque nas muitas palavras, também há muitas transgressões. Existem pessoas que são chamadas de tagarelas, porque falam pelos cotovelos, são também classificadas estas pessoas de mexiriqueiras ou fofoqueiras. Todavia, o elogio do autor é para aquelas pessoa que monitoram sua faculdade da fala, no sentido de falar menos. O correto é falar somente o suficiente para ser um bom comunicador.

EM PALAVRAS. Certamente o apóstolo levanta sua crítica sobre aqueles que se diziam pregadores da palavra, mas que de fato não passavam de anunciadores de suas próprias ideologias. Porque o correto é pregar aquilo que esta de acordo com as santas Escrituras, e não distorcer a mensagem da palavra de Deus para tirar dela proveito pessoal. O autor mais uma vez enaltece aqueles que de fato usam legitimamente a palavra de Deus e que interpretam de maneira correta aquilo que está escrito.

O TAL É PERFEITO. O que o apóstolo pretende dizer com isso é que se alguém não tropeça em suas palavras, é porque é uma pessoa preparada para ter controle próprio sobre as demais áreas de sua vida. Neste período eram feitas verdadeiras disputas de “discursos” entre os judaizantes e os cristãos, entre os falsos mestres gnósticos e os pregadores das boas novas, com isso, haviam muitas acusações de ambos os lados.

E PODEROSO PARA TAMBÉM. Quem tiver a capacidade de controlar as faculdades da fala, e com isso, não se desbocar em palavras vãs, como um tagarela, é chamado de pessoa poderosa para dizer que tem controle próprio sobre a sua vida. Deus deu ao homem, o privilégio de ser coparticipante de sua administração sobre os animais, peixes e aves, mas o ser humano não tem a capacidade de controlar suas palavras.

REFREAR TODO O CORPO. Quem tiver habilidade o suficiente para controlar sua faculdade da fala, ou seja, suas palavras e dizer apenas aquilo que é certo e que edifica, também tem controle sobre seus desejos carnais. A língua, como moduladora das palavras é um membro do corpo que precisa de freios e de controle.

Tiago 3:1

Tiago 3:1 - Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.
MEUS IRMÃOS. Desde os tempos mais remotos da humanidade que os seres humanos se consideram irmãos por acharem um tronco comum na arvore genealógica de toda a humanidade em Adão e Eva. Já os filhos de Israel se consideram irmãos uns dos outros, por terem nos patriarcas, Abraão, Isaque e Jacó suas raízes genealógicas em comum. Para os seguidores do cristianismo, isso se dá pelo fato de que todos que aceitaram a Cristo, são chamados filhos de Deus (João 1:11), e portanto, irmãos uns dos outros.

MUITOS DE VÓS. O escritor começa este capítulo três de sua epístola aconselhando aos seus leitores sobre não se ufanarem de possuir a sabedoria natural e conclui mostrando que a sabedoria que vem do alto é mais importante. Ao que tudo indica, neste mesmo tempo havia uma certa disputa entre aqueles que usavam da palavra, onde um tentava demonstrar que era mais sábio do que o outro, em termo de conhecimento das Sagradas Escrituras. Isso acontece muito nos dias de hoje.

NÃO SEJAM MESTRES. O cristianismo em seus primórdios teve ataques doutrinários de fora e de dentro da comunidade cristã. Ora eram os judaizantes quem atacava com suas fábulas artificias, ora eram os falsos mestres gnósticos, e os falsos cristãos que se infiltravam no meio das igrejas com a finalidade de confundir o povo de Deus com suas falsas doutrinas. A exortação do apóstolo era de que os seus leitores escolhessem a vida simples, como adoradores de Deus e não desejassem ser mestres dos outros.

SABENDO QUE. A igreja do Senhor Jesus é composta de pessoas simples e de pessoas astuciosas que fazem suas coisas erradas mesmo conscientemente. Boa parte dos religiosos erram por serem ignorantes quanto às verdades da palavra de Deus, mas, os falsos líderes religiosos fazem suas tramoias de caso pensado, porque conhecem as verdades das Sagradas Escrituras. Os líderes religiosos quando erram não são inocentes naquilo que fazem, mas agem de má fé, por obras e também por palavras.

RECEBEREMOS. Tudo aquilo que o homem plantar é justamente aquilo que haverá de colher, essa é a lei da colheita segundo a semeadura. Ninguém faz uma plantação de milho para colher arroz, a natureza é boa, mas também é justa. Em outra parte, o evangelho também diz, por tuas palavras serás justificado e por tuas palavras serás condenado. Se alguém se faz de mestre dos outros, esse receberá mais duro juízo.

MAIS DURO. Mais uma vez o autor demonstra sua tendência ortodoxa e preferência pelas exigências da legislação mosaica, sem, no entanto, deixar de escrever sobre uma realidade que permanece também na nova dispensação. Quem busca por egoísmo pessoal se apresentar como doutrinador, ensinador ou pregador deve ter a consciência de que vai prestar contas de cada palavra pronunciada em seu ministério.

JUÍZO. O melhor é ser um simples ouvinte, das supostas mensagens religiosas, do que alguém para mostrar que é um líder influente, querer ser mestre dos outros. Até mesmo aqueles que agem corretamente com a palavra de Deus serão julgados (2 Coríntios 5:10). Quanto mais os que são maus intencionados (Apocalipse 20:15).

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Tiago 2:26

Tiago 2:26 - Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.
PORQUE, ASSIM COMO. O autor continua com seu debate teológico e com suas comparações objetivando a defender que, o judaísmo ainda tem sua importância mesmo dentro do cristianismo, e que o conjunto de cresças cristãs têm seu alicerce nas tradições religiosas dos judeus. Para os cristãos ortodoxos da igreja primitiva, que ainda não dispunham do Novo Testamento pronto, as Escrituras dos judeus eram fundamentais, principalmente sobre as profecias messiânicas e da nova aliança.

O CORPO. É bem provável que o escritor esteja pensando no corpo de um ser humano, e não em um corpo de um animal, que não tem o espírito. A teologia dos judeus se divide em duas composições, quanto a cresças do Velho Testamento. O Pentateuco não deixa transparecer uma cresça na imortalidade, e neste ponto de vista, o espírito é comparado apenas como o sopro de vida. Já no judaísmo helenístico, o espírito é visto como eterno e que da vida ao corpo material e orgânico, neste caso houve um avanço.

SEM O ESPÍRITO. Quando Deus criou o homem do pó da terra, o ser humano não tinha vida em si mesmo, porem o Senhor soprou em suas narinas o folego de vida, conforme Gênesis 2:7 - E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. Por isso que a cultura dos hebreus não ensinava sobre existência do espírito imortal no homem no tempo do Pentateuco. O espírito para eles era o folego de vida, e não como cremos hoje.

ESTÁ MORTO. O corpo sem o espírito está morto, diz o autor. Esta expressão está correta, em se tratando das verdades espirituais, como também quando se trata do ser humano natural. A morte física ou clinica é justamente a separação entre o corpo físico da vida espiritual. É a mesma coisa que dizer também: Nesta nova dispensação, quem não tiver o Espírito de Deus, não tem vida espiritual iluminada pelo reino de Deus. Quando o homem foi formado do pó da terra, ele não tinha vida em si mesmo.

ASSIM TAMBÉM A FÉ. Podemos escrever sobre a fé natural, que é justamente o desejo de alguém fazer alguma coisa, e porque quer e pode, então faz. Existe a fé subjetiva, expressa pela confiança e esperança sobrenatural, que algo além das possibilidades humanas vai acontecer e Deus realiza pela pessoa o que ela não pode fazer por si mesmo. Mas, talvez o autor esteja escrevendo sobre a fé como doutrina cristã.

SEM OBRAS. Há quem diga que havia uma disputa teológica entre Tiago e Paulo, em que o primeiro defende a permanência do judaísmo dentro do Cristianismo, e o segundo, afirma que Cristo cumpriu pela igreja todas as exigências da lei, e que o seguidor do cristianismo esta livre para viver pela fé e não conforme a lei de Moisés. A realidade é que Paulo como missionário aos gentios via as coisas de forma diferente.

É MORTA. Para o escritor desta epístola, a fé sem as obras, ela esta morta em si mesmo. Com isso, o apóstolo deixa transparecer que a fé é confirmada pela pratica das boas obras. Em se tratando das duas alianças, no pensamento do autor, o cristianismo não existe sem o judaísmo, bem como o Novo Testamento depende do Velho.

Tiago 2:25

Tiago 2:25 - E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários, e os despediu por outro caminho?
E DE IGUAL MODO RAABE. O escritor usa um outro exemplo do Velho Testamento para exemplificar que a fé coopera com as obras e vice-versa, no que diz respeito a justificação diante de Deus e também, neste caso, diante dos homens. Esta Raabe é citada no livro de Josué, como também no livro aos Hebreus, como uma heroína da fé. No Novo Testamento ela é citada na genealogia de Jesus Cristo, como sendo alguém que fez parte da família e dos antepassados do Salvador da humanidade.

A MERETRIZ. No caso do texto usado como referência no Velho Testamento, chama Raabe de “prostituta” e nós podemos conferir e diz o seguinte: Josué 2:1 - E Josué, filho de Num, enviou secretamente, de Sitim, dois homens a espiar, dizendo: Ide reconhecer a terra e a Jericó. Foram, pois, e entraram na casa de uma mulher prostituta, cujo nome era Raabe, e dormiram ali. Como se diz nos dias de hoje, Raabe era uma mulher de vida livre que se prostituía para se manter, ela era uma meretriz.

NÃO FOI JUSTIFICADA. Faz-se necessário destacar o pensamento teológico de Tiago, que era diferente do de Paulo, o apóstolo dos gentios. Tiago pertencia ao judaísmo e foi convertido ao cristianismo, porem, concentrou suas atividades na igreja de Jerusalém, que em parte permanecia na ortodoxia da legislação de Moisés. Já Paulo, foi enviado por Cristo para ser o apóstolo dos gentios, Portanto, os escritos de Paulo foram enviados para pessoas que seguiam o paganismo e aceitaram o cristianismo.

PELAS OBRAS. Estas obras a que se refere o autor, também não dizem respeito às obras da lei, mas sim as boas ações que alguém pode fazer para com o seu próximo, que faz achar graça diante dos homens e de Deus. E neste caso, Raabe fez o bem aos espias enviados por Josué para monitorar as terras de Jericó. Aquela mulher recebeu bem aqueles dois missionários, além do mais, os escondeu em sua casa para que não fossem mortos, e por fim, os despediu em paz, depois de firmar aliança com eles.

QUANDO RECOLHEU. Não se sabe ao certo, qual foi à intenção daqueles dois homens em se hospedarem na casa de Raabe. Todavia, tanto aquela mulher, quanto os moradores de Jericó reconheceram de que eles eram espias de Israel. Descoberto o fato, eles passaram a correr risco de vida, porque as autoridades de Jericó ficaram tomados de medo e pavor, bem como toda a cidade. De forma que os inimigos buscaram na casa de Raabe os dois missionários, porem, ela os escondeu de todos.

OS MISSIONÁRIOS. O texto hora citado pelo escritor não nos revela os nomes destes dois missionários que foram enviados por Josué para espiar as terras de Jerico. Na passagem do livro de Josué eles são chamados de “espias”, mas, neste texto que estamos comentando, o apóstolo os classifica de missionários. Porem, o certo é que eles estavam ali para fazer um levantamento de como eram as terras de Jericó.

E OS DESPEDIU POR OUTRO CAMINHO. A casa de Raabe ficava em cima do muro da cidade. Os espias não podiam sair pela porta da frente e atravessar toda a cidade, porque seriam pegos pelos soldados do rei de Jericó. Josué 2:15 - Ela então os fez descer por uma corda pela janela, porquanto a sua casa estava sobre o muro da cidade, e ela morava sobre o muro. Desta forma, Raabe ajudou os espias a escaparem.

Tiago 2:23-24

Tiago 2:23-24 - E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé.
E CUMPRIU-SE A ESCRITURA, QUE DIZ. O autor se refere à passagem de Gênesis 15:6 - E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça. Como também é citada por Paulo em Romanos 4:3 - Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. De fato, no tempo em que esta epístola foi escrita, não havia ainda um Novo Testamento completo como temos hoje, e os autores e pregadores do cristianismo usavam as Escrituras dos judeus para provarem seus argumentos.

E CREU ABRAÃO EM DEUS. O patriarca Abraão viveu em um tempo de profundas tendências politeístas, em que os seres humanos de sua época eram dominados pela idolatria, com adoração aos ídolos e as imagens de esculturas. No entanto, diferente dos cidadãos daquela época, ele decidiu por sua fé e confiança no Deus único e verdadeiro, Criador dos céus e da terra. Razão porque, se firmou uma aliança com seus descendentes, que passou a ser o Israel de Deus, até os dias de hoje e sempre.

E FOI-LHE ISSO IMPUTADO COMO JUSTIÇA. O fato de Abraão seguir o monoteísmo, com a crença no único Deus verdadeiro, fez toda a diferença, e isso cativou e chamou a atenção do Deus Criador, como sendo algo que agradou o seu coração. A fé de Abraão, que viveu antes da instituição da lei de Moisés, foi tão importante diante do coração de Deus, que o Senhor o classificou de justo sobre a terra. E diante do fato, isso o fez ser justificado pela sua fé, que o levou a praticar boas ações em sua vida.

E FOI CHAMADO AMIGO DE DEUS. Segundo as Santas Escrituras, todos aqueles que deixam de adorar o verdadeiro Deus para seguirem o politeísmo com suas crenças nas falsas divindades, criadas pela imaginação dos homens passam a ser indicados como inimigos de Deus. No caso de Abraão, que dedicou sua adoração e serviço ao Deus único e verdadeiro, ele passou a ser chamado por todos que lhe conheciam como sendo amigo de Deus, alguém que em tudo buscava agradar ao Criador.

VEDE QUE O HOMEM É JUSTIFICADO. Ser justificado neste caso é ser aprovado perante Deus. Abraão, certamente entrou em contradição com os costumes religiosos de sua época, pela sua atitude de seguir um caminho diferente dos seus contemporâneos, ao partir para a adoração ao Deus único e verdadeiro, quando a regra geral da sociedade de sua época era adorar aos ídolos e as imagens de esculturas. Sua atitude foi considerada pelos judeus como uma obra extraordinária.

PELAS OBRAS. O pensamento dos seguidores do judaísmo era de que, as boas obras eram justificadas pela obediência aos mandamentos da legislação de Moisés. Já para o pensamento teológico do cristianismo, principalmente defendido por Paulo, a fé é que justifica o homem perante Deus. E isso é fato para a era da nova dispensação da graça.

E NÃO SOMENTE PELA FÉ. Porem, Abraão viveu em um tempo em que, nem prevalecia o judaísmo, nem a cristianismo. No entanto, mesmo assim, suas atitudes, classificadas pelo autor de obras, foi quem o justificou perante o Criador dos céus e da terra.

Tiago 2:21-22

Tiago 2:21-22 - Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada.
PORVENTURA O NOSSO PAI ABRAÃO. Os seres humanos tem um princípio comum, quando acham em sua genealogia como Pai, Adão (1 Coríntios 15:45). Todos aqueles que nasceram de nova pela regeneração do Espírito de Deus, tem como Pai comum, o Deus Criador de todas as coisas (João 1:11-12). Já os judeus, encontravam sua paternidade genealógica nesta personagem importantíssima para Israel, chamado Abraão. Deus fez promessa a Abraão, que dele nasceria uma nação (Gênesis 12:2).

NÃO FOI JUSTIFICADO PELAS OBRAS. Na cronologia das alianças, houve três períodos diferentes, o tempo antes da lei, o período da lei de Moisés, que foi a aliança com Israel e a nova dispensação da graça, que é o tempo atual. Neste caso em pauta, o escritor se refere a um tempo em que não havia aliança estabelecida. No caso de Abraão, ele viveu em um tempo em que não tinha regras nem lei escrita sobre o que as pessoas deviam ou não deviam fazer, mesmo assim, ele foi justificado pelas obras.

QUANDO OFERECEU SOBRE O ALTAR. Este caso esta registrado no capítulo vinte e dois do livro de Gênesis, como ilustração de que a fé e as obras andam juntas e não uma separada da outra. Abraão quebrou a regra geral de sua época, em que as pessoas eram politeístas, e ele passou a ser monoteísta, crendo em um único Deus verdadeiro, e isso pela fé. No entanto, esta fé foi posta em prática, quando ele obedeceu a Deus, e tomou a atitude de dedicar a vida do seu único filho a Deus.

SEU FILHO ISAQUE? O nascimento de Isaque, como filho legítimo de Abraão, foi o cumprimento da promessa de Deus ao seu servo. O seu nome que era muito comum entre os judeus desta época, também é muito comum em nosso país, muitas vezes com a variação de Isaac, tem o significado de: “Filho da alegria ou nascido para sorrir”. Isaque nasceu por um milagre da parte de Deus, uma vez que seus Pais, Abraão e Sara, já eram bastante avançados em idade quando geraram esse menino.

BEM VÊS QUE A FÉ. Neste caso, a fé citada pelo autor, não é a fé como sendo o corpo de doutrinas cristãs, contidas nas boas novas do evangelho da nova dispensação, mas sim, a fé como sentimento de confiança e convicção naquilo que podemos pensar sobre Deus e o que ele faz em prol do homem. Quando estudamos o texto a que se refere o foto citado, descobrimos que Abraão agiu com fé no milagre de Deus.

COOPEROU COM AS OBRAS. Esta fé subjetiva, como sendo o pensamento positivo naquilo que se espera que aconteça, foi à força motivadora para que o resultado do fato rendesse glórias a Deus. A fé usada de forma ideal e verdadeira resulta em ações de graças, pelo que Deus termina realizando em prol dos que nele confiam inteiramente. Abraão acreditou que Deus poderia fazer uma coisa nova em seu favor, e assim foi.

E QUE PELAS OBRAS A FÉ FOI APERFEIÇOADA. O exemplo de fé deixado pelo patriarca Abraão, desde este fato, até os dias de hoje, serve de modelo para aqueles que depositam sua esperança no trabalhar de Deus em prol dos seus servos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Tiago 2:19-20

Tiago 2:19-20 - Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem, e estremecem. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?
TU CRÊS QUE HÁ UM SÓ DEUS. O autor se dirige tanto aos seguidores do judaísmo, quanto aos seguidores do cristianismo, e a todos aqueles que têm uma fé monoteísta, ou seja, que acreditam apenas em um único Deus verdadeiro, e não aos seguidores do paganismo ou seguidores do politeísmo, com suas crenças em várias divindades falsas. Neste caso, o apóstolo transmite sua mensagem para aquelas pessoas que conheciam as verdades da palavra do Senhor, sobre o Deus Criador, esse é o único Deus.

FAZES BEM. Assim sendo, o escritor faz o seu elogio pela atitude correta dos seus leitores, ao afirmar que eles estavam mais que certos, em acreditarem que só existe um único Deus verdadeiro. Com isso ele deixa transparecer que, aqueles que seguem o politeísmo, com suas crenças nos ídolos e nas imagens de escultura fazem mal ou agem errado. A crença ideal ou verdadeira é aquela que esta direcionada para o Criador de todas as coisas, que é o Deus Pai, Deus Filho e o Espírito Santo.

TAMBÉM OS DEMÔNIOS O CREEM. Os demônios são seres espirituais que estão servindo ao diabo e ao mau. Na eternidade passada os demônios serviam a Deu e ao seu reino, como anjos de luz, porem, na rebelião de satanás se tornaram malignos para servirem ao império das trevas. Eles acreditam em Deus, porque conhecem o Criador de todas as coisas, de fato, como ele é, porque viviam na presença do Senhor. Eles não obedecem a Deus, por causa da rebelião, mas sabem quem é o Deus Todo-poderoso.

E ESTREMECEM. Essa é uma expressão usada pelo autor para representar o medo que os demônios sentem das providências de Deus. Quando da rebelião, juntamente com satanás, os demônios foram precipitados dos céus para as trevas, como castigo pela apostasia que praticaram contra o Criador. Muitos dos demônios estão no inferno, em sofrimentos agudos, sem contar que a eternidade futura deles será no lago de fogo e enxofre, para onde irão o diabo e todos aqueles que não creem em Cristo Jesus.

MAS, Ó HOMEM VÃO. Percebe-se uma discussão teológica entre o seguidor da legislação mosaica e o convertido ao cristianismo. Onde o judaizante chama o cristão de homem insensato, vazio e desprovido de inteligência, por dar mais valor à fé do que a prática das boas obras. Neste texto, nota-se o clima de hostilidade que reinava dos judaizantes contra os cristãos primitivos. Conceitos opostos entre a lei e a graça.

QUERES TU SABER QUE A FÉ. Esta fé a que se refere o autor, diz respeito a tudo aquilo que envolvem as doutrinas cristãs, anunciadas pelas boas novas do evangelho. Tiago, assim como a maioria dos apóstolos que ficavam em Jerusalém, (a base ortodoxa da igreja primitiva) defendia que os cristãos precisavam guardar tudo aquilo que estava escrito no Velho Testamento, inclusive a legislação mosaica.

SEM AS OBRAS É MORTA. O apóstolo não está combatendo a fé em Cristo para a salvação, mas sim, mostrando que o cristianismo é filho do judaísmo, e que o Novo Testamento é o cumprimento do Antigo Testamento e que um não existe sem o outro.

Tiago 2:17-18

Tiago 2:17-18 - Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.
ASSIM TAMBÉM A FÉ. Os seguidores do judaísmo procuravam supervalorizar a prática das boas obras, como sendo o cumprimento das ordenanças da legislação mosaica, enquanto que os cristãos buscavam dar mais valor a prática da fé. Porem, os judeus convertidos ao cristianismo defendiam um meio termo, valorizando um tanto as obras da lei, sem, no entanto, deixar de exercer a fé. Sem falar que, os cristãos mais ortodoxos tinham uma tendência maior pelas boas obras, no caso do nosso escritor.

SE NÃO TIVER AS OBRAS. Tiago, o escritor desta carta, foi instruído desde a mais tenra idade sobre a prática das obras da lei. Converteu-se ao cristianismo, mas seu ambiente ministerial ficou até então restrito a igreja mãe de Jerusalém, que era por demais ligada a muitas das práticas do judaísmo. Percebe-se que o escritor, não só neste texto, mas em grande parte de sua epístola tem uma tendência mais ortodoxa, do que o evangelho da libertação pregado e ensinado por Paulo, apóstolo dos gentios.

É MORTA EM SI MESMO. Precisamos entender a importância deste autor, no trabalho de mediação entre a antiga aliança de Deus com Israel e a nova aliança de Cristo com a sua igreja. De forma que, o apóstolo não está tentando voltar ao tempo da lei, nem buscando desvalorizar a fé cristã, mas sim, mostrando a necessidade de também praticar boas ações, como confirmação da fé. Com isso, ele tenta explicar para seus leitores que, se juntar as boas ações com a prática da fé, o resultado é vida eterna.

TU TENS A FÉ. Neste ponto, o apóstolo aponta para aqueles que deixaram de seguir o judaísmo legalista e ortodoxo para seguires o cristianismo. Esta fé a que se refere o autor diz respeito às doutrinas cristãs defendidas e publicadas pelas boas novas do evangelho da graça de Deus. Os seguidores de Cristo são aqueles que passaram a crer inteiramente na obra redentora de Cristo como meio de Salvação, independentemente do que a pessoa tenha feito, antes de se converter ao cristianismo verdadeiro.

E EU TENHO AS OBRAS. Já nesta frase, o autor aponta para aqueles que diziam ter direito a todas as bênçãos de Deus por seguirem a legislação mosaica, guardando todos os mandamentos da lei. Na lei, os seguidores do judaísmo eram obrigados a praticarem as boas obras como meio de serem abençoados pelas promessas de Deus. De maneira que, os judaizantes faziam questão de praticarem boas ações para demonstrarem sua religiosidade. Além do mais, barganhavam a Deus por tais atitudes.

MOSTRA-ME A TUA FÉ SEM AS OBRAS. Neste caso, o escritor denuncia a hipocrisia religiosa dos que se dizem cristão, e que confessam ser pessoas de grande fé, mas que não dão testemunha desta mesma fé pela confirmação das obras. A fé neste caso é subjetiva, que se traduz por teoria, enquanto as obras é a fé posta em prática.

E EU TE MOSTRAREI A MINHA FÉ PELAS OBRAS. A fé subjetiva ou teórica, que o autor critica em frase anterior, não pode ser mostrada. Mas, a fé prática pelas obras, essa sim pode ser vista por todos. O escritor incentiva a prática de boas ações pela fé.

Tiago 2:15-16

Tiago 2:15-16 - E, se o irmão ou a irmã estiverem com falta de vestes, e tiverem falta de mantimento quotidiano. E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?
E SE O IRMÃO OU A IRMÃ. Desde os tempos mais remotos da humanidade que os seres humanos se consideram irmãos, por encontrarem na arvore genealógica um tronco comum em Adão e Eva. No que diz respeito aos judeus, eles se consideravam irmãos, por confessarem ser descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Já com relação ao cristianismo, todos os seguidores de Cristo se dizem ser irmãos, porque o evangelho garante que em Cristo Jesus, todos são filhos de Deus (João 1:12-13).

ESTIVEREM COM FALTA DE VESTES. Seja um cidadão comum, seja um israelita ou um servo de Cristo, qualquer um está sujeito a passar por uma situação desta natureza. A sociedade sempre foi composta por pessoas de diferentes classes sociais em que poucos têm muito e muitos tem poucos recursos financeiros. Tem muitas pessoas, principalmente nos países capitalistas, que são tão pobres, que lhes faltam roupas para se vestirem, notadamente, vestes adequadas para ambientas mais sociais.

E SE TIVEREM FALTA DE MANTIMENTO QUOTIDIANO. Nos dias de hoje, com estruturas sociais dos governos, dificilmente se encontram pessoas passando fome. Todavia, nos tempos mais antigos, as pessoas chegavam mesmo a morrerem de fome, por falta de assistência social. Muitos judeus da dispersão passavam por necessidades básicas, como também muitos dos que eram escravos e se converteram ao cristianismo. A palavra diz que, os pobres é que se convertem ao evangelho.

E ALGUM DE VÓS DISSER: IDE EM PAZ. Seja por falta de vestes ou por falta do alimento de cada dia, se um dos irmãos procurasse os que tinham melhores condições, estes não deviam dispensar de mãos vazias o que estava passando necessidade. Várias das igrejas primitivas estavam se envolvendo em campanhas sociais em arrecadação das coisas básicas para serem distribuídas com os que mais precisavam. O apóstolo Paulo esteve pessoalmente envolvido com estas campanhas e era um incentivador.

AQUIETAI-VOS, E FARTAI-VOS. A Palestina, em determinadas épocas do ano era tão gelada que se as pessoas não estivessem bem agasalhadas poderiam chegar a morrer de frio, portanto, as vestes eram uma necessidade de vida ou morte. De forma que tanto as vestes como e principalmente o alimento cotidiano era algo de sobrevivência. Aqueles que precisavam destas coisas deviam ser socorridos pelos irmãos que tinham melhores condições financeiras, na prática do amor fraternal.

E NÃO LHE DERDES AS COISAS NECESSÁRIAS PARA O CORPO. O ensinamento ou exortação do escritor era para que os seus leitores se compadecessem com os mais pobres, seja da própria comunidade judaica ou cristã, e também com todos.

QUE PROVEITO VIRÁ DISTO? Seria pura hipocrisia religiosa dizer que fazia parte do judaísmo ou do cristianismo e ver alguém precisando de vestes ou de alimentos e fechar as mãos para não ajudar ao pobre e necessitado. Isso é falta de amor fraternal.

Tiago 2:14

Tiago 2:14 - Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?
MEUS IRMÃOS. O texto a nossa frente nos remete a lembrar sobre quem estava escrevendo esta epístola, e para quem ele estava escrevendo. Tiago, irmão do Senhor Jesus, concentrou sua atividades em Jerusalém, onde se tornou a principal liderança da igreja mãe do cristianismo. Portanto, ele pensava diferente do apóstolo Paulo, que concentrou suas atividades ministeriais no mundo gentílico. E Tiago estava escrevendo para seus irmãos judeus, convertidos ou não ao cristianismo.

QUE APROVEITA SE ALGUÉM DISSER. De forma que, o autor, assim como o Senhor Jesus, buscava intermediar uma fase importante entre a velha aliança de Deus com Israel e a nova dispensação implantada por Cristo para a igreja. O ministério de Cristo, a carta aos Hebreus e esta epístola de Tiago tem como foco e ação direcionada o povo judeu, que precisava entender a nova aliança de Deus com todas as nações do mundo, por meio do novo Israel, que é a igreja remida por Cristo Jesus.

QUE TEM FÉ. Essa fé sobre a qual o autor se refere diz respeito à confiança plena em Deus e na obra redentora de Cristo Jesus nosso Senhor. No entanto, se faz necessário destacar que esta fé sobre a qual o escritor tenciona escrever diz respeito ao conjunto de doutrinas cristãs da nova aliança de Deus com a humanidade por meio da obra de redenção realizada por Cristo. É como se o apóstolo quisesse dizer que não adianta somente ser um seguidor do cristianismo, sem ter boas ações que confirma a fé.

E NÃO TIVER. A igreja de Jerusalém, da qual Tiago era seu principal líder, quando esta carta foi escrita, era mediadora entre o judaísmo e o cristianismo, entre a antiga e a nova aliança, entre os judeus convertidos ao cristianismo e os gentios que saiam do paganismo para o cristianismo. É tanto que, boa parte dos comentaristas bíblicos concordam que, Tiago escreveu parte desta epístola para contrabalancear entre o cristianismo ortodoxo e o evangelho da libertação pregado e ensinado por Paulo.

AS OBRAS? Como o autor estava escrevendo para os judeus da dispersão, seguidores da legislação mosaica ou convertidos ao cristianismo, observasse o seguinte: A antiga dispensação era condicional, em que da parte de Deus a promessa era abençoar (salvar), porem, da parte humana se exigia a obediência aos mandamentos da lei de Moisés. De forma que, estas obras, sobre as quais o escritor se reporta dizem respeito ao cumprimento de tudo aquilo que exigia a legislação de Moisés para o povo judeu.

PORVENTURA A FÉ. Já esta fé, deste ponto da carta, diz respeito ao conjunto de doutrinas cristãs que engloba tudo que dizem respeito à nova dispensação da graça de Deus para a humanidade, implantada por Cristo Jesus, o mediador da nova aliança. Esta é a fé no evangelho das boas novas e a salvação pela graça de Deus.

PODE SALVÁ-LO? O escritor faz a seguinte pergunta: Porventura a fé pode salvar? Essa pergunta merece duas respostas. Para os seguidores do judaísmo, não. Para os seguidores do cristianismo, sim, porque essa é justamente a proposta da nova aliança estabelecida por cristo. Deus entra com a graça e o homem entra com a fé.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Tiago 2:12-13

Tiago 2:12-13 - Assim falai, e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade. Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo.
ASSIM FALAI. Muito conhecido é o livro que tem o título de: “Há poder em suas palavras”. Hoje nem tanto, mas em tempos passados a palavra de um homem estava no fio do seu bigode, e isso queria dizer que o homem de verdade deve honrar com suas palavras. O autor entra em combate ao artificialismo e os artifícios na mensagem que tem por intuito enganar o ouvinte. Aquele que fala deve ter responsabilidade sobre o que diz. “Por tuas palavras serás justificado ou condenado (Mateus 12:37).

E ASSIM PROCEDEI. Tem um ditado que diz: “faz o que falo, mas não faz o que faço”. Grande parte das pessoas falam uma coisa, mas não tem a capacidade de por em prática suas palavras. Existe o ensinador, pregador ou mensagem de teorias e não de práticas. Principalmente o líder religioso, tem o dever de ensinar somente aquilo que ele vive no seu dia a dia. A palavra do evangelho diz: “Sede cumpridores da palavra de Deus”. Não adianta nada, pregar para os outros e não viver aquilo que se prega.

COMO DEVENDO SER JULGADO. Além do ser humano ser um dia julgado pelas suas obras, feitos e atos, ele também vai ser julgado pelas suas palavras, até porque tem palavras que possui um efeito devastador na vida dos outros, muito mais do que uma ação. Tem um proverbio popular que diz: “É melhor levar uma surra do que ouvir determinadas palavras de uma pessoa”. É melhor sempre usarmos cautela no que vamos falar para os outros, porque um dia haveremos de prestar contas das palavras.

PELA LEI DA LIBERDADE. Precisamos analisar três pontos de vista para esta mesma frase usada pelo escritor desta carta, que são: O ponto de vista judaico, o judaico-cristão e o cristão segundo o evangelho. Os judeus pregavam de que a legislação mosaica libertava do paganismo. O pensamento judaico-cristão misturava a lei com o evangelho como meio de libertação do pecado. Já a tese do pensamento cristão pregado por Paulo, principalmente no mundo gentílico, só o evangelho pode libertar.

PORQUE O JUÍZO SERÁ SEM MISERICÓRDIA. Neste ponto, observa-se o pensamento judaico do julgamento pela letra da lei. Tem momentos nesta carta em que, o autor parece mais ser um judeu seguidor da lei do Moisés, do que um judeu convertido ao cristianismo. Mas em outros momentos temos que intender quem de fato eram os seus leitores para quem ele estava endereçando esta epístola. Ele estava escrevendo para os judeus, seguidores da legislação mosaica e para judeus convertidos a Cristo.

SOBRE AQUELE QUE NÃO FEZ MISERICÓRDIA. Para aqueles que julgavam de conformidade com a legislação de Moisés, seja julgamento religioso ou civil, a letra da lei era uma só, sem flexibilização, por isso que devia ser aplicada sem misericórdia. Conforme a lei, quem tratasse seu próximo com maldade, não merecia misericórdia.

E A MISERICÓRDIA TRIUNFA DO JUÍZO. Finalmente, o autor põe dentro do escopo de sua mensagem final deste texto, uma gota do evangelho, em apontar que a misericórdia deve triunfar sobre o julgamento. Isso é salvação em vez de condenação.

Tiago 2:11

Tiago 2:11 - Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu, pois não cometeres adultério, mas matares estás feito transgressor da lei.
PORQUE AQUELE QUE DISSE. Os filhos de Israel acreditavam que a lei de Moisés foi dada por Deus ao seu povo, a fim de que os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó fizessem a vontade do Deus eterno. O grande legislador, Moisés passou quarenta dias no monte Sinai, ausente dos filhos de Israel, ouvindo da parte do Senhor tudo aquilo que ele escreveu para a nova nação que estava sendo implantada na terra de Canaã. Portanto, conforme a tradição judaica, a lei de Moisés veio diretamente de Deus.

NÃO. Pelas teses defendidas pelos comentaristas do Pentateuco, a legislação mosaica continha trezentos e sessenta e cinco proibições mais ortodoxas para os seguidores do judaísmo, uma proibição para cada dia do ano. De forma que, entre os juízos, estatutos, preceitos, mandamentos e leis contidas na legislação mosaica, a sua grande maioria era para controlar os atos dos seguidores do judaísmo para não praticarem coisas erradas contra a vontade de Deus nem contra o próximo.

COMETERÁS ADULTÉRIO. As sagradas Escrituras falam em linhas gerais sobre quatro tipos de pecados sexuais mais graves, tais como: O adultério, a prevaricação, fornicação e o homossexualismo. O adultério é a pratica sexual entre duas pessoas casadas, prevaricação entre uma pessoa casada e uma solteira, a fornicação é o ato sexual entre duas pessoas solteiras, já o homossexualismo é a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo. A lei de Moisés era dura contra a prática do adultério.

TAMBÉM DISSE: NÃO MATARÁS. O mesmo que esteve no Monte Sinai para entregar a lei a Moisés que diz que não se deve adulterar, ou seja, que aquele marido ou aquela esposa que são casados não devem trair uns aos outros. É o mesmo que também escreveu o mesmo mandamento que proíbe alguém de tirar a vida do seu semelhante (Êxodo 20:13-14). Não se sabe ao certo porque o escritor usou estes dois mandamentos, talvez seja, porque eram os mais transgredidos pelos seus leitores.

SE TU, POIS NÃO COMENTE ADULTÉRIO. As duas frases seguintes é uma explicação do texto anterior que diz: Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. É como se ver nos dias de hoje alguém dizer: Eu não mato nem roubo, por isso não preciso me converter. No tempo da velha aliança ou legislação mosaica, alguém se justificava pela sua fidelidade conjugal, porem, se fosse necessário tirar a vida do seu próximo, não se achava culpado diante da lei.

MAS MATARES. Este transgressor da lei supervalorizava um mandamento da lei em detrimento de outro, como se uma palavra fosse mais importante do que a outra. Se alguém fosse fiel em seu contrato matrimonial, podia transgredir sem problema as demais ordenanças da lei, e com isso matavam os outros sem nenhum peso na consciência. “Não matarás”, este mandamento devia ser o principal da lei de Moisés.

ESTÁS FEITO TRANSGRESSOR DA LEI. Os dez mandamentos eram todos iguais em termos de importância. De forma que, se alguém guardasse nove e transgredisse um deles, era de igual modo culpado perante a lei. Nos dias de hoje, percebe-se que alguns líderes religiosos supervalorizam textos bíblicos em detrimento de outros.

Tiago 2:9-10

Tiago 2:9-10 - Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redarguidos pela lei como transgressores. Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos.
MAS, SE FAZEIS ACEPÇÃO DE PESSOAS. Provavelmente o autor tinha em mente os seus compatriotas judeus que diziam guardarem a legislação mosaica, mas que certamente estavam transgredindo a lei de Moisés, na prática da acepção de Pessoas. No caso em Pauta, esta acepção de pessoas cometida pelos líderes das sinagogas se fazia por meio da distinção entre os ricos e os pobres, dando elevados privilégios aos poderosos em detrimento dos mais humildes e pobres, o que não devia acontecer.

COMETEIS PECADO. Conforme a palavra de Deus, cometer pecado é transgredir um ou mais mandamentos expressos dentro das Sagradas Escrituras. Para um judeu piedoso e que dizia ser obediente a legislação mosaica, se ele praticasse o ato de acepção de pessoas estaria de fato sendo igual a um pecador gentio. Mesmo que fosse um líder do judaísmo, se alguém fosse tido como um transgressor da lei devia ser responsabilizado pelos seus atos, com duras penas e consequências pelo pecado cometido.

E SOIS REDARGUIDOS PELA LEI. A própria legislação de Moisés destacava como pecado a prática da acepção de pessoas (Levíticos 19:15). De maneira que se alguém faz na realidade descriminação entre o rico e o pobre, tratando um melhor do que o outro é acusado pela própria lei como pecador. Todos eram conhecedores de que a lei era mais complacente com os menos afortunados. Até porque os mais bem sucedidos, por natureza, já são providos dos seus privilégios pelo poder econômico que possuem.

COMO TRANSGRESSORES. Essa é uma expressão usada originalmente para qualificar a desobediência a uma lei que é ordenada e que não pode ser transgredida por quem quer que seja. Também significa ter pleno conhecimento de que está no caminho errado e persistir na direção das consequências pela prática do pecado. Os líderes para os quais esta carta estava sendo enviada sabiam dos seus deveres de não praticarem acepção de pessoas, todavia, mesmo assim insistiam em transgredir o mandamento.

PORQUE QUALQUER QUE GUARDAR TODA A LEI. Os judeus procuravam fazer um compromisso religioso com os seus descendentes logo cedo na vida, quando no oitavo dia do seu nascimento, já apresentava o pequeno menino aos sacerdotes, e executava a circuncisão, o que algumas religiões fazem por meio do batismo infantil. A partir de então, todos passavam a fazer parte do judaísmo, e tinham que guardar a lei.

E TROPEÇAR EM UM SÓ PONTO. Conforme as tradições do judaísmo, sobre os pais caiam a responsabilidade de educarem seus filhos em todos os preceitos da legislação mosaica. É tanto que, os filhos de um judeu piedoso sabiam de toda à legislação de Moisés, quando atingiam sua maioridade. E eram obrigados a obedecerem a todas as ordenanças da lei, sem transgredirem a nenhum preceito dela. Isso era uma regra.

TORNOU-SE CULPADO DE TODOS. No entanto, mesmo que alguém fosse zeloso ao extremo, em procurar guardar a legislação mosaica, mas se porventura pecasse em pelo menos o menor de todos os mandamentos, era considerado transgressor da lei por inteira.

Tiago 2:8

Tiago 2:8 - Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.
TODAVIA, SE CUMPRIRDES. Nos textos anteriores o apóstolo vinha acusando os ricos opressores e inimigos do cristianismo, de levarem os cristãos aos tribunais com o intuito de condena-los perante as regras das religiões e as leis romanas. Todavia, ele esperava que os líderes para os quais ele estava escrevendo fossem cumpridores das leis de Deus, tanto aquelas que estavam na legislação mosaica, quanto as novas ordenanças conforme a nova dispensação da graça, proposta por Deus em Cristo Jesus.

CONFORME AS ESCRITURAS. Estas Escrituras sobre as quais o autor se reporta dizem respeito a todos os Escritos, além é claro das tradições orais, do judaísmo e do cristianismo. Certamente seu pensamento se lembra das Sagradas Escrituras dos judeus, aquelas que faziam parte dos Cânons, (porque quando Cristo veio havia três), bem como tudo aquilo que já havia escrito sobre o evangelho da nova dispensação da graça. Tais Escrituras tinham uma importância fundamental para os judeus e os cristãos.

A LEI REAL. É bem provável que o escritor se refira a duas coisas muito importantes para os seus leitores. Em um momento, seu pensamento pode estar se reportando a legislação mosaica com todas as suas regras, estatutos e mandamentos. Por outro lado, ele direciona seus leitores a essência mesmo do evangelho de Cristo, que tem como força motivadora a prática do amor fraternal. Todas as Sagradas Escrituras tem um objetivo forte que é fazer com que os seres humanos amem uns aos outros.

AMARÁS. “O amor” que é conforme a vontade de Deus deve ser praticado em três direções. Os conjugues devem se amar da forma mais intensa e pura que for possível, bem como os familiares de um modo em geral. A lei real de Cristo também nos ensina que devemos amar ao nosso semelhante como a nós mesmos. E acima de tudo, devemos amar a Deus mais que qualquer coisa, com toda a nossa alma, com todo o nosso coração, com todo o nosso entendimento e com todas as nossas forças.

A TEU PRÓXIMO. Amarás ao teu próximo. Este é o segundo mandamento da lei de Cristo e tudo que envolve a nossa comunhão cristã para a nova dispensação da graça. Marcos 12:31 - E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. Os líderes religiosos para os quais o apóstolo estava escrevendo estavam negando o segundo mandamento da lei de Cristo, ao fazerem acepção pessoas, desprezando os mais humildes e pobres.

COMO A TI MESMO. Sempre estamos querendo o melhor para nós mesmos e lutamos com todas as nossas forças para alcançarmos os nossos melhores objetivos e planos. Da mesma forma, devemos sempre estarmos envolvidos em boas ações e atos para proporcionarmos o bem do nosso semelhante, porque esta é a vontade de Deus e a lei de Cristo.

BEM FAZEIS. Os ensinos do escritor são para que os seus leitores possam viver da melhor maneira possível em sociedade, seja no meio da irmandade ou onde estiverem na coletividade. E somente considerando ao próximo e o respeitando como a si mesmo é que alguém pode desfrutar de comunhão cristã com o seu semelhante e com todos.

Tiago 2:6-7

Tiago 2:6-7 - Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos, e não vos arrastam aos tribunais? Porventura não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado?
MAS VÓS DESONRASTES O POBRE. O escritor faz uma acusação grave sobre os líderes religiosos que fazem acepção de pessoas nas reuniões, quando enchem a bola dos mais ricos e dos que ocupam posições de destaque ou influencias dentro da comunidade religiosa em detrimento aos mais simples e humildes do povo. Por causa de interesses pessoas e no exercício do comercio da fé, muitos põem os ricos lá em cima e humilham ou desprezam os que são desprovidos de condições financeiras.

PORVENTURA NÃO VOS OPRIMEM. Na época em que esta epístola foi escrita, as grandes massas dos seguidores do cristianismo eram pessoas humildes da sociedade que eram oprimidas pelos mais ricos, pelas autoridades romanas e pelos poderosos líderes das religiões pagãs. A maioria dos cristãos primitivos tiveram que ser perseguidos e humilhados por estes dominadores políticos ou religiosos, em que eram confiscados os seus bens, depois eram presos e até mortos por seguirem a Jesus.

OS RICOS. Estes ricos aos quais se refere o apóstolo dizem respeito aos poderosos financeiramente, bem como todos os senhores de escravos que maltratavam os seus servos e escravos para tirarem proveito financeiro dos mesmos. Como também eram as autoridades romanas, que gozavam dos privilégios da corte para explorarem os súditos e vassalos do império com altos impostos e uma carga tributária insuportável. Por fim, estes ricos também eram os enganadores líderes das falsas religiões heréticas.

E NÃO VOS ARRASTAM AOS TRIBUNAIS. Nesta época, praticamente todos os cristãos tinham que ser submetidos aos tribunais religiosos e da justiça imperial por questões meramente religiosas. O fato de alguém confessar pertencer ao cristianismo, já era motivo para os inimigos do povo de Cristo perseguir os novos convertidos. Os líderes do judaísmo e das demais religiões que eram contra o surgimento do cristianismo, por qualquer motivo levava os seguidores do evangelho aos tribunais do império romano.

PORVENTURA NÃO BLASFEMAM ELES. Além de matarem o Senhor Jesus, os opositores do cristianismo faziam de tudo para profanarem tudo que dizia respeito as coisas que envolviam a nova religião fundada pelo Senhor Jesus. Os judaizantes, os gnósticos e os falsos líderes das seitas heréticas pagãs, nutriam um ódio implacável contra Jesus e contra o cristianismo, ao ponto de blasfemarem contra tudo que Cristo ensinou, e contra tudo que envolvia a nova dispensação da graça.

O BOM NOME. Este bom nome sobre o qual o autor se refere diz respeito ao nome de Jesus Cristo. A condenação pela cruz e a morte de Cristo foi uma investida do império das trevas contra o nome que é sobre todo o nome, que é o nome de “Jesus”.

QUE SOBRE VÓS FOI INVOCADO. O diabo com os seus demônios usaram muitas autoridades religiosas e políticas para tentar apagar o bom nome de Jesus do coração das pessoas. Cada religião antiga, nesta época, tinha as suas próprias falsas divindades e não permitia que o nome de Jesus fosse invocado pelos seus prosélitos.

Tiago 2:5

Tiago 2:5 - Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?
OUVI, MEUS AMADOS IRMÃO. Na realidade o autor estava escrevendo e não falando ou pregando, porem, ele se ver diante de uma multidão a pregar estas verdades importantes sobre as doutrinas cristãs, que expressam a vontade de Deus para o seu povo. O escritor demonstra o seu carinho para com os seus leitores ao trata-los de meus amados. Quando o apóstolo chama os seus leitores de irmãos, é porque esta era uma tradição dos judeus, que passou a ser também usada pelos cristãos.

PORVENTURA NÃO ESCOLHEU DEUS. Falar sobre a escolha de Deus é a mesma coisas que ensinar sobre a predestinação bíblica (Efésios 1:4-6). O próprio Jesus falou e disse: Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós e vos nomeei (João 15:16). Primeiro o Senhor nos conheceu de antemão, e aos que conheceu, a estes predestinou, e aos que predestinou a estes também justificou, e aos que justificou a estas também glorificou. Tudo isto aponta para uma ação positiva da parte de Deus.

AOS POBRES. Às vezes esta palavra “pobre” dentro das Sagradas Escrituras fala sobre os humildes e simples da sociedade e não somente sobre os desprovidos de poder econômico. Isso quer dizer-nos o texto que Deus escolheu os simples e humildes deste mundo para viverem pela fé. O ser humano em geral é complicado, porque quando está vivendo bem se esquece de Deus, mas quando está passando por dificuldades se lembra de Deus. Por isso que a maioria dos que servem a Deus são pobres.

DESTE MUNDO. Infelizmente a sociedade está dividida entre ricos e pobres, entre aqueles que se dão bem na vida economicamente e aqueles que todos os dias têm que enfrentarem a lei da sobrevivência. Como diz um ditado popular: a grande maioria tem que matar um leão a cada dia para continuar vivo. E percebe-se na prática que os mais sofredores são aqueles que justamente fazem a opção em buscarem o reino de Deus em primeiro lugar e as coisas que são de cima. Porque dos pobres é o reino de Deus.

PARA SEREM RICOS NA FÉ. Por que os pobres são chamados para serem ricos na fé? Não é preciso ser muito inteligente para se descobrir esta verdade. A realidade é que os mais pobres da sociedade quase sempre estão enfrentando dificuldades na vida e não tem a quem recorrer, senão exercer a sua fé e confiança nas providências de Deus. Os ricos buscam soluções para seus problemas por meio do dinheiro. Já o pobre, como não tem dinheiro, tem que esperar um milagre acontecer em seu favor.

E HERDEIROS DO REINO. Na nova aliança de Deus com a humanidade requer-se do ser humano e exercício da sua fé na obra perfeita de redenção já realizada por Cristo Jesus. Como os mais pobres, que recorrem a Deus em suas necessidades, exercem a sua fé no Deus Todo-poderoso, essa mesma fé proporciona aos tais a vida eterna.

QUE PROMETEU AOS QUE O AMAM? O primeiro mandamento da lei de Cristo é justamente amar a Deus acima de qualquer coisa (Mateus 12:30). Quem ama a Deus mais do que as coisas materiais e deste mundo, passa a ser herdeiro do reino de Deus.

Tiago 2:4

Tiago 2:4 - Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?
PORVENTURA. Se um líder religioso ou um dirigente de culto se comportar tal como apontou a autor no texto anterior, porventura ele não praticou acepção de pessoas, que nos dias de hoje isso é chamado de discriminação, o que a lei vigente de alguns países chama de crime. Quem estiver na frente de um trabalho não pode nem deve tratar com privilégios alguém, simplesmente porque esta pessoa possui riquezas materiais, ao mesmo tempo discriminar outro porque é pobre economicamente.

NÃO FIZESTES. Como esta é uma das epístolas universais, não podemos afirmar que o escritor tivesse alguém em mente, como se conhecesse o caso pessoalmente. Mas podemos conjecturar que o autor tinha certeza de que casos desta natureza aconteciam na igreja primitiva e que acontece também nos dias de hoje. Em que alguns líderes religiosos recebem bem na igreja alguém que tem poder financeiro, enquanto despreza outros porque são pessoas simples e não possuem dinheiro.

DISTINÇÃO. O que temos aqui é: Porventura não fizestes acepção de pessoas? É bom lembrar que Tiago era a autoridade eclesiástica principal, neste tempo, da igreja cristã de Jerusalém. Portanto, ele tinha respaldo o suficiente para fazer esta assertiva a qualquer outra autoridade religiosa, seja do cristianismo ou do judaísmo. Com isso, podemos pensar que nos trabalhos que ele dirigia e nas igrejas por ele supervisionadas não era permitido fazer distinção das pessoas pela sua classe social.

ENTRE VÓS MESMOS. Se a advertência é dirigida a um líder principal de uma sinagoga judaica, o apóstolo conhecia bem os costumes dos judeus, que não se permitia tratar um seguidor do judaísmo em detrimento de outro. Se a exortação é direcionada a um líder do cristianismo, isso é que não podia acontecer, até porque o cristianismo tem como base a prática do amor fraternal, tese essa que não é permitido se fazer discriminação de quem quer que seja, seja uma pessoa rica, ou seja ela pobre.

E NÃO VOS FIZESTES. Qualquer líder de uma religião que faz acepção de pessoas está fora da vontade de Deus, uma vez que, o próprio Deus não faz esse tipo de Coisa (Romanos 2:11). Deus trata os seres humanos com o bem e da melhor maneira possível. Da mesma forma, o querer do Criador é que nós, seres humanos consideremos a todos de igual modo, sem privilégios para uns nem descriminação para outros. O valor de alguém não pode ser determinado pelo que ela tem de riqueza.

JUÍZES. Ninguém tem o direito de se por como juiz e praticar injustiça. Quando alguém trata um pobre com desprezo pela sua condição social, está afrontando a justiça de Deus, ele que não faz acepção de pessoa. Se colocar na posição de juiz neste caso e querer estar acima do bem e do mal. É se achar o rei da cocada preta e Deus não aceita este tipo de coisa.

DE MAUS PENSAMENTOS? Espera-se de um líder religioso, que ele não seja preconceituoso no tocante a tratar as pessoas pela sua condição social. Na igreja de Cristo, os mais bem sucedidos economicamente não são melhores do que os de menores condições econômicas. Somos todos servos de Deus e irmãos uns dos outros.